Ninguém sabe. Os Estados Unidos não sabem, a NATO não sabe, ninguém sabe. A ofensiva que decorre no Sul do Afeganistão é a segunda. Em 2009 aconteceu uma outra. Ou será ainda a mesma?
A mudança de liderança na ISAF e no comando norte-americano não ajuda aos objectivos de Obama. Começar a sair do Afeganistão em Julho de 2001, afigura-se por agora, sem nenhuma perspectiva de melhoria significativa, como uma data falhada. Mas convém que se perceba que o problema não é Obama, porque o actual presidente norte-americano herdou uma situação para a qual tem de encontrar saídas. E a questão é essa. Já não se trata de ganhar a guerra mas de sair do Afeganistão não perdendo a face. Aliás, eu acho que ninguém sabe ao certo quem é o inimigo. Serão Taliban, Senhores da Guerra, Traficantes? Pois, inventaram uma designação: insurgentes, seja lá isso o que for.
O pior é para os afegãos que por lá vão continuar e que vão ficar com um país feito em cacos. Pode dizer-se que não estava melhor. É verdade. Mas agora a esperança também está morta e enterrada.
José Manuel Rosendo
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Afeganistão até quando?
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josé manuel rosendo
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terça-feira, 18 de maio de 2010
Presidente brasileiro deu lição à União Europeia:façam como o Brasil!
Lula da Silva recebeu, a 18 de Maio, em Madrid, o prémio “Nova Economia Fórum 2010”. É uma distinção para os que fazem algo de relevante em cargos de responsabilidade pública. Nas palavras de Teresa de La Veja (número 2 do Governo de Espanha) foi um prémio de reconhecimento pelo “exemplo político, moral e pessoal” que Lula deu ao Mundo.
Depois de uma série de elogios, Lula respondeu à boa maneira brasileira: que estava de “ego cheio” e precisava de um alfinete para furar, caso contrário “rebentava”. E depois explicou que deixa a Presidência do Brasil no final do ano, mas sai de consciência tranquila: o povo brasileiro vive melhor, as diferenças sociais são menores e o Brasil tem um lugar de destaque entre os grandes do Mundo.
Depois de uma série de elogios, Lula respondeu à boa maneira brasileira: que estava de “ego cheio” e precisava de um alfinete para furar, caso contrário “rebentava”. E depois explicou que deixa a Presidência do Brasil no final do ano, mas sai de consciência tranquila: o povo brasileiro vive melhor, as diferenças sociais são menores e o Brasil tem um lugar de destaque entre os grandes do Mundo.
Explicou também que quando a crise financeira se instalou, lançou um apelo ao povo brasileiro para consumir, pensando bem o consumo, mas para consumir, porque caso contrário as empresas brasileiras não iriam resistir à crise. Disse Lula (enquanto juntava as duas mãos junto ao coração) que foram os mais pobres do Brasil que responderam positivamente a este apelo e que foram eles, “o meu povo” quem salvou a economia brasileira.
E depois disse apontando para Durão Barroso (cito de cor): Barroso, a União Europeia devia fazer o mesmo! Barroso sorriu, mas o que pareceu um conselho foi, de facto uma dura crítica. A União Europeia, nomeadamente Portugal, Grécia e Espanha, aprovaram medidas que passam por aumento de impostos e redução de ordenados, isto é, são um claro desincentivo ao consumo. A lição ficou dada e não se pode dizer que sela ilegítima porque foi dada por um homem a quem todos, sem excepção, minutos antes, tinham elogiado as políticas que implementou no Brasil.
Madrid, José Manuel Rosendo
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segunda-feira, 12 de abril de 2010
A Liberdade pratica-se
Gostava de saber escrever. Bem, claro. Ter a arte de dizer muito em poucas palavras, de fazer-me entender sem dificuldade e não deixando dúvidas. Quantas vezes se torna difícil encontrar a palavra com o peso certo. Muitas vezes tenho esta frustração de sentir que não conto as histórias como devia. Muitas vezes parece que só fica um mar de espuma. Talvez por tudo o que disse sinta um doce prazer quanto encontro um texto assim como o de Manuel António Pina e que ainda por cima fala dessa minha grande amiga: a Liberdade. Trata-a de uma forma que eu seria incapaz. Por isso o reproduzo. E porque às vezes apetece-me esfregá-lo na cara de alguns “cobardes de sucesso”.
A Coragem da Liberdade
Para se ser livre é preciso coragem, muita coragem. E, desde logo, coragem para uma escolha fundamental, a do respeito por si mesmo. Porque é bem mais fácil sobreviver acobardando-se do que escolher viver livremente. Os locais de trabalho, a vida política, a mera existência social, estão (basta olhar em volta) cheios de cobardes de sucesso. O jornalismo não é, e porque haveria de ser?, excepção, pois a pusilanimidade e a cumplicidade dão menos incómodos e rendem mais que a dignidade. Mas, enquanto na vida política e social, o preço da liberdade é a solidão (as águias, como Nietzsche escreve, voam solitárias; os corvos andam e grasnam em bandos), no jornalismo o preço é às vezes a própria vida. Anna Politkovskaya escolheu a liberdade e pagou com a vida. Mas a Rússia é um lugar longínquo e entre nós não se dão tiros na nuca a jornalistas, na pior das hipóteses despedem-se. É, por isso, fácil chorar por Anna Politovskaya, basta só um pouco de falta de pudor. Assim, os jornais portugueses encheram-se nos últimos dias de grasnidos e lágrimas de crocodilo vertidas por gente que, na sua própria vida profissional, escolhe o salário do medo. Alguns conhece-os eu e, como no soneto de Arvers, hão-de ler-me e perguntar “De quem falará ele?”.
Manuel António Pina
in Jornal de Notícias, 10.10.2006
A Coragem da Liberdade
Para se ser livre é preciso coragem, muita coragem. E, desde logo, coragem para uma escolha fundamental, a do respeito por si mesmo. Porque é bem mais fácil sobreviver acobardando-se do que escolher viver livremente. Os locais de trabalho, a vida política, a mera existência social, estão (basta olhar em volta) cheios de cobardes de sucesso. O jornalismo não é, e porque haveria de ser?, excepção, pois a pusilanimidade e a cumplicidade dão menos incómodos e rendem mais que a dignidade. Mas, enquanto na vida política e social, o preço da liberdade é a solidão (as águias, como Nietzsche escreve, voam solitárias; os corvos andam e grasnam em bandos), no jornalismo o preço é às vezes a própria vida. Anna Politkovskaya escolheu a liberdade e pagou com a vida. Mas a Rússia é um lugar longínquo e entre nós não se dão tiros na nuca a jornalistas, na pior das hipóteses despedem-se. É, por isso, fácil chorar por Anna Politovskaya, basta só um pouco de falta de pudor. Assim, os jornais portugueses encheram-se nos últimos dias de grasnidos e lágrimas de crocodilo vertidas por gente que, na sua própria vida profissional, escolhe o salário do medo. Alguns conhece-os eu e, como no soneto de Arvers, hão-de ler-me e perguntar “De quem falará ele?”.
Manuel António Pina
in Jornal de Notícias, 10.10.2006
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domingo, 11 de abril de 2010
Zona Verde vale a pena
Estreou esta semana. "Zona Verde", um filme com acção em Bagdad, logo após a invasão em Março de 2003. Muito melhor do que "Estado de Guerra" que ganhou uma série de Óscares. Para quem gosta de Médio Oriente é a não perder. Mas desconfio que quando chegar à noite dos Óscares não vai ser tão bem recebido como o foi "Estado de Guerra". Será que estou enganado? Depois de verem vão perceber que a chamada Academia não deve gostar muito da forma como o filme trata das tão faladas Armas de Destruição Maciça, que ainda estamos à espera.
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josé manuel rosendo
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quarta-feira, 7 de abril de 2010
Embaixador do Irão alerta para as lições que o pais já deu a quem o invadiu

Rassol Mohajer, Embaixador do Irão em Lisboa, reafirma que o país apenas pretende ter acesso a energia nuclear. Mas também diz que defende o desarmamento total em relação às armas nucleares. Sem excepção. É esse o mote (Energia nuclear para todos, armas nucleares para ninguém) da Conferência Internacional que vai ter lugar em Teerão, a 17 e 18 de Abril.
Quanto a eventuais ataques, o diplomata iraniano, lembra que o Irão já deu lições a quem o quis invadir (Iraque, na década de 80). O Embaixador lembra que o Irão mantém influência em muitas zonas do Médio Oriente (por exemplo, Afeganistão e Faixa de Gaza), mas diz que isso acontece devido à boa relação com o povo dessa região. Quanto a Israel (que o Irão não reconhece), a Paz parece impossível. Rasool Mohajer utiliza o argumento de sempre: Israel não respeita os povos da região. Entrevista efectuada a 31 de Março de 2010.
Quanto a eventuais ataques, o diplomata iraniano, lembra que o Irão já deu lições a quem o quis invadir (Iraque, na década de 80). O Embaixador lembra que o Irão mantém influência em muitas zonas do Médio Oriente (por exemplo, Afeganistão e Faixa de Gaza), mas diz que isso acontece devido à boa relação com o povo dessa região. Quanto a Israel (que o Irão não reconhece), a Paz parece impossível. Rasool Mohajer utiliza o argumento de sempre: Israel não respeita os povos da região. Entrevista efectuada a 31 de Março de 2010.
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josé manuel rosendo
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