quinta-feira, 7 de março de 2013

Da “rua-árabe” à “rua-portuguesa”


Já vamos ver o que é que a “rua-portuguesa” pode ter a ver com a “rua-árabe”. Antes disso registemos dois momentos.
Após cinco semanas de silêncio, o Presidente da República (PR) reapareceu inspirado pelas manifestações de 2 de Março: “as vozes que se fizeram ouvir não podem deixar de ser escutadas”. Na reaparição, Cavaco Silva falou dos números do desemprego, do alargamento das situações de pobreza e disse que as manifestações “merecem o maior respeito”. A “situação é verdadeiramente dramática”, disse. Mas também disse que não se sentiu alvo dos manifestantes e que as preocupações dos manifestantes há muito que fazem parte das suas – dele, PR – intervenções públicas. Aqui chegados, Cavaco Silva, que até parecia estar a entender alguma coisa, revelou que não entendeu nada. Ou faz que não entende. Ele é também um alvo das manifestações.
 
 
Quanto ao Primeiro-Ministro (PM) veio dizer (e cito de cor…) que não governa a partir de manifestações de rua e que um primeiro-ministro que o faça não está apto a desempenhar as funções. Pedro Passos Coelho confunde convicção e firmeza (obviamente necessárias a um líder) com cegueira e surdez. Pedro Passos Coelho é líder de um Governo, não é administrador de uma empresa (o que ainda assim tem que se lhe diga, para além dos números…) e por isso devia ouvir o seu povo. Não adianta que repita à exaustão que tem uma maioria parlamentar que o mesmo povo votou. Aliás, se olharmos ao que se passa na rua, esse argumento significa precisamente que alguma coisa mudou. Não será intelectualmente honesto pegar nas manifestações mais recentes para a partir daí dizer, com rigor, que o resultado de eleições realizadas agora seria substancialmente diferente do anterior, mas é nesse ponto – nesse sentir e interpretar, na descodificação dos sinais – que os políticos se diferenciam dos tecnocratas que governam apenas com números e estatísticas.
 
 
Para além disso, depois de rapar o tacho, depois de todos os sacrifícios que tem exigido aos portugueses, um PM que diz que vai cortar mais 4 mil milhões de Euros na despesa do Estado e não diz onde, só pode estar a brincar. Só pode estar a deitar gasolina na fogueira.
Talvez por isso, por tudo o que Pedro Passos Coelho disse e tem feito, João Semedo, do Bloco de Esquerda lançou esta tarde, durante o debate parlamentar, o desafio: “O povo está farto de si, o povo está farto da sua política e do seu governo. Demita-se”. “Não tenha medo de eleições, deixe a democracia falar por si”, disse ainda João Semedo.
 
Aqui chegados, percebe-se que nem o PR nem o PM estão a querer entender o divórcio entre a rua e o actual poder. Não entendem a diferença entre a rua, o povo, e o “Palácio”, esse enquanto símbolo do poder instituído. Vamos às semelhanças entre a “rua-árabe” e a “rua-portuguesa”: a rua, entenda-se opinião pública (não a publicada), está em profundo desacordo com o governo. A “rua-árabe” começou assim a ser designada precisamente porque representava um sentimento diferente daquele que expressavam os governantes, por ser um registo de opinião completamente diferente e oposto ao que nos era dado pelos respectivos líderes árabes. É verdade que esses líderes eram quase todos uns ditadores (que por acaso tinham excelentes relações com os líderes do chamado mundo ocidental…), mas também é verdade que em Portugal atravessamos um momento muito semelhante. Basta ver os cartazes que idosos e outros cidadãos pacíficos exibem para se perceber o divórcio e, pior do que isso, o respeito que o Governo já perdeu. Das palavras de protesto passou-se ao insulto. Das reivindicações passou-se ao pedido de demissão. É a raiva e o ódio do povo em relação aos governantes, expressa em cartazes rudimentares mas que representam um sinal político fortíssimo. Um sinal de que numa rua em chamas não há bombeiro que possa valer ao “Palácio”.
 
Em Portugal não vivemos formalmente numa ditadura, nem o Primeiro-Ministro pode ser acusado de tal, mas que há um fosso enorme entre o que pensa e faz o Governo e o que pensa e quer a “rua-portuguesa”, qualquer político com o mínimo de instinto já percebeu.
 
Foi a “rua-árabe” que fez cair ditadores, vamos ver o que acontece ao actual Governo português perante este profundo desentendimento com a mesma rua que lhe deu o poder. Não era nada má ideia não ter medo de eleições e deixar a democracia falar.
 
josé manuel rosendo
Pinhal Novo, 6 de Março de 2013

quarta-feira, 6 de março de 2013

Hugo Chávez sem preconceitos


Hugo Chávez foi um líder perfeito? Não! Foi um homem perfeito? Não! Teve uma orientação política perfeita? Não! Aliás, tenho pavor das pessoas e das coisas perfeitas. Mas perguntem aos mais carenciados da Venezuela se gostaram mais de ser liderados por Hugo Chávez ou durante o tempo que o antecedeu. Depois perguntem às petrolíferas se gostaram da liderança de Chávez.
 
Como é evidente, jornalista que sou, amo a Liberdade. A Liberdade de poder dizer e escrever o que penso. A falta dessa Liberdade, uma mão a tapar-me a boca, é algo verdadeiramente intolerável. Mas a questão que se colocava a Chávez na Venezuela era a de tentar mudar um país que, em nome de alguma, sublinho, de alguma liberdade, mantinha uma larga parcela da população em grande miséria enquanto petrolíferas estrangeiras e outras multinacionais se enfartavam nos lucros chorudos.
 
 
 
Chávez mudou como lhe foi possível, sacrificando alguns aspectos que deram aos inimigos os argumentos para dizerem que não era um democrata. Provavelmente esses inimigos apenas queriam ter a oportunidade de lhe sacar o poder para tudo voltar a ser como dantes. Chávez mudou como lhe foi possível mudar essa situação, dentro de uma realidade que é a da América Latina e que alguns teimam em analisar usando a lente do chamado “mundo livre”, mais concretamente o mundo das chamadas democracias neoliberais, e obviamente incorrendo em erros de análise provocados por uma deficiente grelha de avaliação.
 
Claro que os homens dos negócios estragados por Chávez não perderam tempo a minar-lhe o caminho e a catalogá-lo de populista, ditador, e por aí fora. Os programas de televisão, os números de anedotas, o discurso na ONU quando depois de ver George W. Bush disse que tinha visto o diabo, tudo isso é um discurso que tem que ser analisado tentando entender como funciona a sociedade venezuelana e a própria América Latina. O discurso de Hugo Chávez, parecendo algo inaceitável para uma Europa que pensa ser exemplo para o Mundo, era um discurso afectivo porque Chávez falava ao povo dele com a linguagem que o povo entendia e isso não é necessariamente populismo. Se calhar, muitos “líderes” europeus precisavam aprender alguma coisa com Chávez para que nós os pudéssemos entender, algo que por vezes é muito difícil.
 
Quanto ao “Chavismo”, se ele está ou não cimentado na sociedade venezuelana, é agora que vamos saber. Qualquer sistema que assenta na personalidade de um líder tem um momento complicado e conturbado quando o líder morre. À esquerda e à direita. Sabemos que até agora o “palco” era de Chávez, mas isso não significa directamente que não haja ninguém na “segunda linha” que possa tomar as rédeas do poder, mantendo a orientação política que a liderança de Chávez construiu. Um palco, um líder, uma tradição latino-americana.
 
 
 
 
 
 
 
 
Chávez reclamava a herança de Simão Bolívar. Que herança era essa? Criar um projecto de defesa conjunta do sub-continente sul-americano que defendesse os povos das então potências europeias. Foi uma utopia porque era um momento (estamos em 1826, por aí…) em que estes países mal conseguiam manter a sua unidade interna, quanto mais edificar um projecto desta dimensão. Era deste projecto que Hugo Chávez se reclamava herdeiro. Era a “metáfora” para falar da solidariedade que considerava necessária para enfrentar, desta vez, o inimigo norte-americano mas também a olhar para a União Europeia.
 
Outro aspecto a ter em conta no dia da notícia da morte de Hugo Chávez é o da expulsão de dois adidos militares norte-americanos pouco antes de ser conhecida a morte de Hugo Chávez. Sabemos todos qual é o passado norte-americano de interferência em países da região que os Estados Unidos definem como o “seu Mediterrâneo” (o Mar das Caraíbas). Os venezuelanos também sabem.

 

josé manuel rosendo

Pinhal Novo, 5 de Março de 2013

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Um camião de laranjas que não enche um copo de sumo…*


“O mais difícil é ganhar o partido, depois o país é canja!”. E foi. Frase dita, assim mesmo, com esta facilidade e com um sorriso nos lábios. Quem a disse, conhecendo-me, terá pensado que podia funcionar como uma provocação para início de uma saudável troca de argumentos. Uma frase de alguém muito próximo do actual Primeiro-Ministro e, apesar da informalidade que a manhã de sol aconselhava, era de facto este o entendimento que o núcleo duro de Pedro Passos Coelho fazia da realidade do país e do PSD. Estávamos no início de 2010.
Confesso que achei graça. Pedro Passos Coelho e os seus mais próximos ainda andavam a reunir forças na “Plataforma Construir Ideias” e José Sócrates ainda parecia ter energia para dar e vender, naquela azáfama de medidas com que a determinada altura o XVIII Governo constitucional nos brindava diariamente. Ainda não tínhamos digerido a última e já mais meia-dúzia estavam a ser anunciadas.
A fonte que revelou esta lente através da qual o PSD olhava o futuro – não revelo a fonte porque a conversa era mesmo informal – tinha toda a razão, e eu, alguns meses depois, deixei de achar graça. E ganhei uma preocupação. Não em termos de opções políticas ou por causa da anunciada “refundação do Estado”. Perante outras questões mais preocupantes, opções políticas e “refundação do Estado” passam para segundo plano. O partido foi ganho, o país também, mas isso conduziu-nos a este tempo em que desta pobre democracia já não esperamos líderes com quem nos identifiquemos ideologicamente ou de quem discordando politicamente apreciemos a personalidade, o carácter ou outra qualquer qualidade. Chegámos ao ponto em que apenas esperamos líderes a quem possamos comprar, se for caso disso, um carro em segunda mão.
Para além dos “casos” que envolveram o Ministro Miguel Relvas e que não tiveram nenhum tipo de consequência política, agora somos confrontados com a nomeação de um Secretário de Estado, Franquelim Alves, que foi administrador da SLN, a holding proprietária do BPN. Não é crime ter sido administrador da SLN, mas a escolha do Primeiro-Ministro é politicamente incompreensível. O BPN já “comeu” muito milhares de milhões de Euros de dinheiros públicos e a história continua por contar. Foi uma fraude de que alguns tiraram benefícios e que estamos todos a pagar. Para além disso, a última coisa que este Governo precisava, agora, era de mais um caso.
Aqui chegados, adicionemos outra premissa ao raciocínio: Pedro Passos Coelho é um homem inteligente. Mas fará o favor de não nos considerar estúpidos. É por isso que é ainda mais complicado entender a decisão do Primeiro-Ministro sem cair na tentação da especulação. Se a escolha de Franquelim Alves é politicamente indefensável, então por que terá sido escolhido? É difícil entender. Resta a especulação: chegamos ao ponto de pensar que está a ser criado um facto político que serve para entreter enquanto algo mais importante está a ser decidido ou então alguém impôs o nome de Franquelim Alves. Para quê e porquê? E o Primeiro-Ministro não podia dizer que não?
Voltando ao início deste texto, o partido está ganho e o país também. Temos um camião de laranjas que não enche um copo de sumo: da social-democracia nem sinal, do país sinais de conformismo. Está a ser canja! Só falta o raminho de hortelã…
 
* a frase não é do autor do texto
josé manuel rosendo
 

sábado, 29 de dezembro de 2012

Cigarrinhos de enrolar e gestores que ganham mais de um milhão de €uros por ano.

Podia começar por dizer que a tocar o final de 2012 decidi fazer as contas do ano. Não é verdade. Confesso que já não faço contas. Simplesmente não gasto. Isto é, tenho que comer, mais algumas coisas básicas, pagar água, renda de casa, luz e electricidade, e faço uns cigarrinhos de enrolar. Ponto final.
 
Mas, chegado a casa, li nos jornais o que não tive tempo de ler durante o dia. A manchete do DN tinha ficado à espera: “30 gestores tiveram ganhos anuais acima de um milhão em 2011”. O DN acrescenta, não dizendo quem é, que um desses 30 gestores recebeu 2,7 milhões de Euros em 2011. Os números parecem insuspeitos porque fazem parte de um relatório anual produzido pela CMVM (Comissão do Mercado de Valores Mobiliários). No caso são gestores executivos de empresas cotadas.
 
Leio o artigo enquanto vejo num canal de notícias os aumentos de preços agendados para entrar em vigor a partir de 1 de Janeiro. Preços de serviços prestados por empresas, algumas delas que já foram do Estado – nossas – e pergunto-me, porque o DN não diz, se alguns destes gestores não serão destas empresas que agora vão aumentar os preços; e pergunto-me ainda qual a percentagem destes aumentos – que nós vamos pagar – que vai engordar estas e outras suculentas remunerações dos ditos gestores.
 
Com estas perguntas para as quais certamente conhecerão a resposta, dou comigo a pensar naqueles doutos economistas e políticos que, sempre que falam das empresas que são do Estado quando estas apresentam contas deficitárias – em regra os mesmos tendem a ignorar os benefícios sociais que esse défice significa – fazem logo a seguir a pergunta que o povo gosta de ouvir: quem é que paga isto? “Quem é que paga isto?”, é a frase a que aqueles que estão a receber a mensagem (provavelmente desempregados, reformados, trabalhadores a salário mínimo ou nem isso…) respondem de forma automática: somos nós! Muito provavelmente acrescentarão, dirigindo-se aos que trabalham nessas empresas públicas, uns quantos palavrões cuja intensidade dependerá de quem mais tiverem ao seu redor.
 
Esta demagogia de perguntar “quem paga?” quando se fala de empresas públicas é feita com a sugestão implícita de que nas empresas privadas não são os mesmos a pagar. Pura mentira. Quem paga os lucros dos bancos? Quem paga os lucros das seguradoras, das empresas que gerem as Auto-estradas, dos hospitais e das escolas privadas? Quem paga o gás, a electricidade, a água, os cigarros? Quem paga tudo ao fim e ao cabo? Somos nós, sempre nós. Isto é, somos nós que pagámos o tal milhão de Euros que cada um daqueles 30 gestores da manchete do DN levou para casa em 2011.
 
É um bocadinho como a história de saber quem paga a televisão e rádio públicas e as televisões e as rádios privadas. Somos sempre nós, pois quem havia de ser? Mas uma coisa é pagarmos algo que é nosso – do Estado, e assim sendo temos uma palavra a dizer – outra bem diferente é pagarmos aquilo que não é nosso e em relação ao qual não temos qualquer tipo poder.
 
josé manuel rosendo
Pinhal Novo, 28 de Dezembro de 2012

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

“Tony Blair não conseguiu nada”


O Presidente da Autoridade Palestiniana não disse uma palavra em público nos dois primeiros dias que esteve em Portugal. A tarefa ficou a cargo de Riyad al-Malki, Ministro dos Negócios Estrangeiros da Autoridade Palestiniana. Na entrevista que deu a três órgãos de informação nacionais, o governante palestiniano mostrou clara insatisfação relativamente ao desempenho de Tony Blair nos cinco anos em que foi o enviado especial do Quarteto (ONU, UE, EUA e Rússia) e por isso pretende reformular o Quarteto. Espera também uma União Europeia mais interventiva que lidere a apresentação de sanções contra a política de Israel de expandir colonatos. Por fim, a reconciliação entre Hamas e Fatah, apesar do acordo do Cairo, parece algo distante. O Ministro palestiniano espera que o líder político do Hamas clarifique opções e diga se ainda subscreve os pontos do acordo que assinou na capital egípcia. Ficam muitas dúvidas quanto à possibilidade de haver eleições nos territórios palestinianos já em 2013.

 

Que importância teve o voto português na Assembleia Geral das Nações Unidas (em que a Palestina passou de Entidade a Estado Observador) sendo que não precisava desse voto porque já tinha a maioria dos votos?

Há muito tempo que temos um apoio clássico e tradicional na Assembleia Geral. Nunca tivemos a necessidade de esperar que a União Europeia estivesse connosco. Mas agora há diferenças qualitativas. A União Europeia está connosco e isso é extremamente importante. Israel tem tentado insinuar, de várias maneiras, que é habitual os palestinianos dependerem do movimento dos não-alinhados, dos países africanos, países árabes, da América do Sul, mas não dos europeus. Chamam-lhe uma minoria moral. Provámos que essa minoria moral também está connosco. Estes países, como Portugal, entre outros, são países que querem ser parte desta maioria moral. Não uma minoria, mas uma maioria moral. Foi por isso que decidiram votar a favor da Palestina. Dizer que 138 países votaram a nosso favor é mais importante do que se fossem 137 e gostaríamos muito de ir além dos 140. É evidente que a pressão colocada sobre alguns países levou-os a absterem-se e é uma ironia que alguns dos que se abstiveram reconheçam o Estado da Palestina mas também reflecte que a pressão foi extremamente grande e muitos países preferiram abster-se em vez de se confrontarem com sanções vindas dos poderes maiores.

O jornal israelita Haaretz disse que em Israel há quem pense que Israel perdeu a Europa. Os palestinianos ganharam a Europa?

Penso que ganhámos a Europa há muito tempo e a cada dia que passa a Europa mostra não apenas maturidade mas também compromisso e liderança. Havia uma lacuna entre os povos e as lideranças europeias, mas agora estão ambos na mesma linha de apoio à Palestina e isso é extremamente importante. Penso que o tempo que investimos, a liderança que mostrámos, a maturidade de que demos prova e o nosso compromisso com a paz, a nossa sinceridade e a nossa aproximação transparente, são bem entendidos nos países europeus e fizeram perceber que vale a pena apoiar os palestinianos.

E sobre as negociações (com Israel) …?

Esperemos que Israel mostre prontidão a sentar-se e a negociar connosco. O Presidente (Mahmmod Abbas) disse na Assembleia Geral das Nações Unidas que estamos prontos, imediatamente, para negociar com Israel quando os israelitas estiverem prontos. Mas agora temos dois problemas: temos de esperar até os Estados Unidos terem um novo governo para poderem liderar negociações e também temos de esperar pelas eleições em Israel (a 22 de Janeiro de 2013) para saber quem é o novo governo. Infelizmente vamos ter dois meses perdidos porque israelitas e norte-americanos não estão prontos. Nós estamos e ficamos à espera até termos sinais correctos de Washington e Telavive.

Espera-se que Netanyahu (Likud) vença as eleições. O modelo de negociações que a Palestina apresentou é visto por Israel como tendo mais pré-condições…

Israel pode chamar outra coisa qualquer ao Sol, não faz diferença nenhuma. O Sol continuará a ser o Sol, a Lua continuará a ser a Lua e a Terra continuará a ser a Terra, mesmo que os israelitas lhes mudem o nome. Se Israel diz que estamos a pôr pré-condições, é muito claro para a comunidade internacional que não o estamos a fazer. Israel ter que congelar colonatos não é uma pré-condição mas sim uma obrigação de Israel referida no Road Map e nas resoluções do Conselho de Segurança da ONU. A libertação de prisioneiros políticos palestinianos anteriores aos Acordos de Oslo é um acordo assinado em 1995. Desde então até agora Israel recusou libertar estes prisioneiros. Por isso não são pré-condições, são de facto obrigações de Israel. Se reparar são apenas obrigações de Israel das quais vai fugindo. Se Israel quer mostrar que está pronto e que se quer comprometer seriamente tem que cumprir todas as suas obrigações. Isto é muito importante. De outra maneira, porquê acreditar neles? Porquê acreditar neles após 20 anos de negociações em que Israel não mudou? Como poderemos acreditar que vão cumprir os acordos que venhamos a assinar no futuro?
Têm que mostrar que são sérios, comprometidos por inteiro com os acordos assinados há 20 anos. É realmente isto que temos vindo a dizer. Não estamos a pôr pré-condições. Quem somos nós para pretender qualquer tipo de pré-condições para negociar?

Como é que a Autoridade Palestiniana vai responder à decisão de Israel expandir os colonatos em Jerusalém Oriental? O Presidente Abbas disse na Turquia que o recurso ao tribunal penal Internacional pode ser uma opção…

Sim. Durante muito tempo estivemos sozinhos a enfrentar a política israelita dos colonatos e as acções dos colonos. O discurso da Comunidade Internacional era o de condenar essa política nos territórios palestinianos, mas apenas isso. Sentimos que estávamos sozinhos. Agora, pela primeira vez, quando Israel anunciou que vai expandir colonatos na área E1 (designação de uma área em Jerusalém Oriental) a União Europeia teve uma reacção diferente e forte, chamando os embaixadores israelitas. É um novo desenvolvimento, que saudamos. Mas dizemos que não é suficiente. A Chanceler Ângela Merkel disse, na conferência de imprensa com Netanyahu, que havia diferenças entre eles no que diz respeito aos colonatos. Foi muito claro. Quando muitos governos europeus chamam os embaixadores de Israel também fica muito claro. Estamos encorajados com isso mas queremos ver mais. Queremos ver a União Europeia decidir acções tendo em vista os produtos feitos nos colonatos. Queremos ver mais acção em relação aos colonos que exercem violência contra os palestinianos e que devem ser proibidos de entrar no Espaço Schengen. Isto é muito importante. Por que não sanções contra Israel se persistir nesta política de colonatos? Nesse aspecto a União Europeia não está a liderar o mundo tendo em vista esta política de colonatos de Israel. O que dizemos é que se Israel congelar esta política nada disto será necessário. Mas se Israel decidir continuar a construir colonatos, inviabilizando a criação de um Estado palestiniano com continuidade territorial, temos que defender os nossos direitos para termos um Estado independente. Se Israel decidir construir na área E1, toda a gente sabe, incluindo a União Europeia, que isso destruirá a Solução dois Estados. Que tipo de reacção esperam que tenhamos? Se Israel ultrapassar esta linha vermelha temos que ter uma reacção forte e o que é que temos nas nossas mãos? Temos o Tribunal Penal Internacional. Nós ponderamos essa possibilidade mas vamos pensar nisso sem precipitações, vamos consultar os nossos amigos e apenas tomaremos essa opção se for essa a última solução. Não iremos recorrer ao TPI hoje ou amanhã. Vamos esperar e ver se os Estados Unidos e a União Europeia convencem Israel a recuar nessas construções em E1.

O Líder da Liga Árabe disse recentemente que o tempo do Quarteto (ONU, EU, EUA e Rússia) terminou, que é tempo de virar a página e seguir em frente. O que pensa em relação a isto?

É verdade. O Primeiro-Ministro do Qatar disse que talvez o tempo do Quarteto tenha terminado mas devia também perguntar em relação a outro aspecto porque o meu presidente também disse no Qatar que não é assim. Temos que tentar negociar e o Quarteto é uma oportunidade para continuar tal como a Iniciativa da Liga Árabe pode ser uma oportunidade. O meu Presidente pretende manter todas as portas abertas. Depois do que conseguimos na Assembleia Geral das Nações Unidas não podemos fechar portas nem enviar mensagens erradas. Queremos transmitir mensagens positivas dizendo, sim, não podemos manter a Iniciativa da Liga Árabe por muito tempo em cima da mesa, 10 anos é mais do que suficiente, Israel, por favor, deve contemplar esta possibilidade e analisá-la em profundidade. Também em relação ao Quarteto dizemos que não estamos felizes com o seu trabalho, porque não conseguiu nada. O Quarteto é importante porque se perdemos o Quarteto não temos alternativa, mas o Quarteto deve ser reformulado. Por que não injectar sangue novo com a entrada de outros países? O Quarteto tem actualmente dois prémios Nobel (Barack Obama e União Europeia), esperemos pelo menos que mostrem a sua disponibilidade para fazerem um caminho para a paz entre israelitas e palestinianos e que nos mostrem que o Prémio Nobel valeu a pena. As pessoas perguntarão por que razão receberam o Prémio Nobel se não fazem esse caminho que desenvolva a paz entre israelitas e palestinianos.

Há países como o Brasil, África do Sul, Índia que questionam por que razão o Quarteto há-de ser um monopólio dos actuais quatro membros. Por que não abrir a porta e injectar ideias novas e sangue novo. Por nós não há problema.

Mas há também outro aspecto muito importante em relação ao Quarteto: até agora o Quarteto não tem que prestar contas a ninguém. Ninguém pergunta nada ao Quarteto. É um problema porque o Quarteto tem que responder a alguém. Pode ser ao Conselho de Segurança ou à Assembleia Geral das Nações Unidas, tem que reportar a alguém porque senão não tem pressão e não sente obrigação de fazer progressos.

Com ou sem Tony Blair?

Com todo o respeito, mas se quisermos rever o trabalho do Quarteto temos também que rever os progressos feitos por Tony Blair e infelizmente não podemos falar de um único progresso que Tony Blair tenha conseguido desde que foi nomeado enviado especial do Quarteto.

Como será possível realizar eleições na Palestina durante o próximo ano sem haver reconciliação com o Hamas e depois das declarações de Khaled Meshaal que disse querer uma Palestina do Jordão ao Mediterrâneo?

Temos que entender a lógica e as condições em que Khaled Meshaal fez esse discurso. Foi a sua primeira visita a Gaza em 40 anos e foi durante a celebração do 25º aniversário do Hamas. Por outro lado ele também está em competição com os líderes do Hamas em Gaza. Teve que ser mais radical em relação aos líderes locais para poder ter o apoio popular. Mas isto não serve de explicação. Ele tem um acordo com o Presidente Abbas, assinado no Cairo, e depois fez fortes declarações à imprensa dizendo que o Hamas acredita na Solução dois Estados, que esta solução deve resultar de negociações directas (israelitas/palestinianos), que enquanto houver negociações o povo palestiniano tem o direito a uma resistência pacífica e que deverá haver eleições. São as quatro questões que ficaram acordadas entre todas as facções presentes no Cairo na presença do Presidente Mahmmod Abbas e depois Khaled Meshaal dirigiu-se aos jornalistas reiterando estes quatro pontos. Na nossa perspectiva negociámos com um Khaled Meshaal que concordou com estes quatro pontos, não com o Khaled Meshaal que falou há alguns dias em Gaza para a sua própria audiência. Isto é realmente muito importante e se Khaled Meshaal quer recuar nas suas próprias decisões não nos será possível comprometermo-nos com ele para qualquer tipo de reconciliação. Reconciliação entre o Hamas e a Fatah deve basear-se nas quatro questões que referi. Se não for assim não teremos um terreno comum nem forma de continuar o processo de reconciliação. Espero que este processo termine com a possibilidade de fazermos eleições legislativas e presidenciais e seja quem for o vencedor terá o direito de representar o povo palestiniano. Mas que fique muito claro que não nos comprometemos com o Hamas enquanto o Hamas não aderir aos quatro pontos que ficaram no acordo que fizemos no Cairo.

Mas reconhece que o Hamas está agora mais forte?

Pode estar, mas nós também estamos mais fortes depois de conseguirmos o estatuto de Estado Observador nas Nações Unidas. Se o Hamas se sente forte porque é que receia as eleições? Se se sente forte depois do que aconteceu em Gaza, vamos para eleições e se o povo em Gaza e na Cisjordânia optar por votar no Hamas o Hamas será eleito para representar o povo palestiniano. Nós não temos receio de eleições.

No próximo ano?

Espero que sim. Se o Hamas concordar com os quatro pontos que referi e se o Hamas permitir que a Comissão Eleitoral Independente trabalhe em Gaza para fazer o registo dos eleitores, então o presidente emitirá o decreto presidencial para a realização das eleições nos territórios palestinianos.

Ainda não é o momento certo para o presidente Abbas ir a Gaza?

Se o Hamas permitir que a Comissão Eleitoral Independente trabalhe em Gaza e complete o seu trabalho e depois das eleições serem convocadas por decreto presidencial, então não haverá razão para o Presidente não ir a Gaza. Mas não antes disso.
José Manuel Rosendo

Entrevista colectiva concedida por Riyad al-Malki, Ministro dos Negócios Estrangeiros da Autoridade Palestiniana à Antena 1, Agência Lusa e Expresso.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Faixa de Gaza: mil argumentos para um conflito eterno

O conflito israelo-palestiniano foge, por vezes, muitas vezes, a uma lógica racional. A forma apaixonada como muitos intervenientes encaram o conflito conduzem habitualmente a uma contra-argumentação que visa a descredibilização do opositor através de acusações de ligação ou simpatia por uma das partes do conflito. Ou seja, quem tenta ser equidistante e faz um esforço de distanciamento, dificilmente consegue deixar de ouvir argumentos que visam a sua descredibilização. E assim se colocam “todos no mesmo saco”, fazendo com que argumentos e análises sérias sejam vistos como retórica de propaganda das partes em conflito. É errado, mas é o que acontece.

Para além da questão do território, esta é uma questão atravessada pela religião. Sem dúvida que a política se aproveita do factor religioso, mas colocada a questão no plano religioso a racionalidade fica ainda mais afastada.

Durante décadas têm sido esgrimidos argumentos que mais não permitiram do que criar uma situação insustentável no terreno. Não há paz que resista ao actual status quo. Invariavelmente, um lado acusa o outro. Isto não significa que tenham os dois a mesma responsabilidade. Quem observa este conflito pode formar uma opinião tanto mais consistente se não se deixar aprisionar por preconceitos ou clichés muitas vezes completamente desfasados da realidade.

Para ler a actual situação entre Israel e a Faixa de Gaza há uma enorme lista de factores a ter em conta:

Israel vai ter eleições legislativas em Janeiro de 2002 e não é certo que o Likud (de Benjamin Netanhyau) consiga ser o partido mais votado;
na terça-feira anterior a Israel ter morto Ahmed Al-Jabari (comandante militar do Hamas) as agências de notícias internacionais deram conta da intenção de Israel retomar a política de “assassínios selectivos”;
o Egipto deixou de ser uma ditadura e tem um presidente oriundo da Irmandade Muçulmana;
a Síria está numa situação indefinida mas Bashar Al Assad só por milagre continuará presidente;
na Jordânia – com o argumento do aumento do custo de vida e redução de apoios sociais – há agitação nas ruas;
o Irão não inverte a política de energia (e armas?) nuclear;
os palestinianos continuam divididos entre Hamas e Fatah;
a Autoridade Palestiniana pretende alterar estatuto nas Nações Unidas para Estado observador;
Barack Obama ainda não tomou posse para o segundo mandato;
em 2012, até 17 de Novembro, de acordo com a OLP, morreram 124 palestinianos na Faixa de Gaza, vítimas de 1582 ataques e 103 raids;
em 2012, morreram 3 israelitas (depois do início da actual escalada de violência);
desde 2001 a agência Reuters diz que morreram 30 israelitas; o blog das IDF (Força de Defesa Israelitas) refere 44 mortos em Israel, vítimas dos vários tipos de mísseis lançados a partir de Gaza entre 2006 e 2011;
o actual conflito mostra que em Gaza há maior capacidade militar – mísseis com maior alcance – que já atingiram os arredores de Telavive e Jerusalém;
o Hamas assume que tem mísseis FAJR 5 (iranianos) com alcance de 75km a juntar aos Grad Rocket que podem chegar aos 48km;
a Cisjordânia continua ocupada por colonatos; os palestinianos continuam sem ter um Estado;
as negociações estão paradas e mesmo quando fazem que estão a andar nunca se traduzem em nada de significativo;
Israel sabe que depois da ofensiva de final de 2008 e início de 2009 não conseguiu evitar que o Hamas aumentasse o seu poder militar;
Uma sondagem publicada no Haaretz dá conta de que 84% dos israelitas apoiam a operação em curso mas apenas 30% aprovam uma ofensiva terrestre;

A lista poderia continuar, mas avaliar todos estes dados já é tarefa suficientemente complexa. A operação Pilar de Defesa vai no sexto dia consecutivo…

Lisboa, 19 de Novembro de 2012
josé manuel rosendo

sábado, 10 de novembro de 2012

O que vem Angela Merkel fazer a Portugal e o que pretende a Alemanha?

A Alemanha é, por definição, uma potência continental. Isto significa que o seu espaço natural de expansão é a Europa. As duas guerras mundiais do século passado não aconteceram por acaso. Mas do final da primeira para o final da segunda, houve uma mudança de atitude dos vencedores face à derrotada Alemanha. Se no final da I Guerra a Alemanha foi humilhada e submetida a medidas e pagamentos que a deixavam de rastos, no final da II Guerra beneficiou de um Plano Marshall e apesar de responsabilizada com o pagamento de indemnizações de guerra deixou muitas por pagar – a Grécia que o diga. Aliás, após a I Guerra, uma das razões apontadas para a ascensão de Hitler ao poder foi precisamente ter sido ele que prometeu ao povo alemão que a Alemanha não podia continuar a pagar a dívida sob pena de não sair da miséria. E deixou de pagar, investindo numa máquina de guerra. Isto é: indiferente à atitude daqueles que a tinham vencido no campo de batalha, humilhada após a I Guerra e ajudada após a II Guerra, a Alemanha retomou sempre a sua estratégia e ambição mais profundas: ser a grande potência Europeia.


Não estarei muito enganado se disser que, desde a primeira hora a seguir à morte (?) de Hitler – e sem falar em operações Odisseia – a Alemanha, outros alemães, começaram a pensar no percurso a fazer para devolver ao país o lugar de locomotiva da Europa.
 
Perante uma URSS que ameaçava a Europa Ocidental e uns Estados Unidos que queriram travar qualquer avanço a partir de Leste, a Alemanha do pós II Guerra apresentou-se como elemento fulcral e beneficiou disso. Durante a Guerra Fria o microcosmos das duas Alemanhas foi palco priveligiado. Staline opunha-se à unificação da Alemanha tendo deixado escrito nas suas notas pessoais que só aceitaria essa unificação se a Alemanha fosse neutral. Os Estados Unidos queriam a Alemanha Ocidental integrada nas insituições ocidentais. Uma delas era a NATO à qual a Alemanha aderiu a 6 de Maio de 1955, logo após o fim do regime de ocupação a que ficou submetida após a II Guerra Mundial. Também a 14 de Maio de 1955 era criado o Pacto de Varsóvia. Muitos historiadores defendem que o Pacto de Varsóvia foi criado quando a URSS percebeu que não ia conseguir a neutralidade alemã e não para responder à criação da NATO. É uma primeira prova da importância da Alemanha.
 
Não vem ao caso traçar toda a evolução da história da Alemanha, mas a queda do Muro de Berlim e o desmembramento da URSS foi uma alteração estrutural que acabou com a bipolaridade e afastou o receio que os Estados Unidos sentiam quanto à possibilidade da Europa ser invadida a partir de Leste e transformou a Alemanha numa potência fundamental. Por isso os Estados Unidos começaram a pensar no seu retraímento e na necessidade de deixar a defesa da Europa aos europeus.
 
Em 2003, a Alemanha dá o primeiro “grande murro” na mesa. Sentia-se livre para enfrentar os Estados Unidos: contesta abertamente a invasão do Iraque. É o primeiro acto de emancipação política proporcionada pela pujança económica (que beneficiou dos importantes apoios do pós-guerra e do perdão ou esquecimento de muitas dívidas) e pela centralidade no espaço europeu.
 
O caminho começara a ser traçado com o Chanceler Konrad Adenauer, depois com Willy Brant e Helmut Kohl. Foi Gerard Schroeder quem deu o “murro na mesa”. Agora com Angela Merkel é a expansão.
Não embarco em nacionalismos. Cada povo tem coisas boas e coisas más, se é que podemos atribuir esse tipo de características assim, por grosso, a um conjunto tão vasto de pessoas. Mas aprendemos a amar uma bandeira, uma língua, uma cultura e a isso chama-se patriotismo. A nossa bandeira, língua e cultura, não são melhores nem piores do que quaisquer outros, mas são os nossos, aqueles que nos dão uma marca.

A guerra deste início de século na Europa é a da economia numa teia de agentes financeiros e respectivos servidores sem escrúpulos. E é dos livros que a potência vencedora é aquela que consegue definir as regras de convivência entre vencedores e vencidos. E é disso que se trata, as regras que nos querem impor roubam-nos soberania - foi Angela Merkel quem disse que é esse o preço a pagar. É bom que não se esqueça que a forma como se lida com o sentimento de humilhação de um Estado vencido é determinante na estabilidade do pós guerra.
 
É isso que Angela Merkel vem fazer a Portugal: um Imperador por mais receio que possa sentir tem que se mostrar em todos os cantos do Império. Hoje em dia, os imperadores não enviam exércitos (às vezes ainda o fazem…), preferindo os regentes locais, mas gostam de receber vassalagem. Não acho que devamos tratar mal quem é democraticamente eleito. No entanto, quem subverte o sentido do voto que lhe deram, não pode excluir a possibilidade de ver subvertido este princípio de respeito democrático. Admito que Angela Merkel com esta atitude imperial corresponda ao que uma larga fatia dos alemães (admito apenas…) espera dela, mas não pode estar à espera que num momento como este os portugueses gostem de a ver em Portugal. A Alemanha venceu a guerra da economia e está a querer humilhar os vencidos.
 
Vamos saber quem traiu Portugal e vamos saber quem defendeu o país e o povo. Já aconteceu no passado: perante as dificuldades alguns não hesitaram em colocar-se ao lado dos invasores. Quase sempre tiveram breve gozo das mordomias proporcionadas pela traição e muitos deles acabaram enforcados ou atirados pela janela. Sei que os tempos são outros mas tenho esperança de os ver a prestar contas, num tribunal, como deve ser feito num mundo de gente civilizada que dispensa a selva dos agiotas e dos trafulhas. Vamos ter que dar a volta a isto. O povo tem a obrigação de se defender e defender o país.


josé manuel rosendo

Pinhal Novo, 10 de Novembro de 2012