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sábado, 19 de março de 2016

As últimas 24 horas dos refugiados para chegarem à Europa


A União Europeia fechou a fronteira. A partir de Domingo, os refugiados que cheguem às ilhas gregas serão reenviados para a Turquia. Não é literalmente assim, mas com o que é possível saber do acordo entre a União Europeia e a Turquia, o resultado prático é esse. Aliás, basta ver as cautelas com que os próprios líderes europeus abordaram a questão após a assinatura do acordo. António Costa, Primeiro-ministro português, foi muito claro: “não deve ser visto com a ilusão de que o problema está resolvido”. Em conferência de imprensa, o Primeiro-ministro turco Ahmet Davutoglu disse que é “um dia histórico”, mas ali ao lado o Presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, pôs o pé no travão: “não sei se é um dia histórico… é um dia importante”.

O texto final da cimeira em que o acordo foi obtido também é muito claro: a partir da meia-noite de domingo “todos os novos migrantes irregulares que se deslocarem da Turquia para as ilhas gregas serão reenviados” para a Turquia. Restam 24 horas. Todos os refugiados que não quiserem ser abrangidos por este acordo terão de chegar a terra europeia antes da meia-noite de domingo.

A União Europeia tenta sublinhar que com este acordo o negócio dos passadores de refugiados vai sofrer um duro golpe. Na prática o que ele representa é que a Turquia passa a ser um Estado tampão que recebe em troca muito dinheiro e facilidades no processo de adesão à União Europeia. Mas a Turquia é um país em que os direitos humanos são palavra morta e em que a liberdade de imprensa nas ruas da amargura. Outro aspecto que a União sublinha neste acordo é que os processos de pedido de asilo vão ser apreciados individualmente, como a lei obriga, e não poderá ser efectuada a expulsão de grupos de refugiados.

Após serem conhecidas as linhas mestras do acordo União Europeia/Turquia, muitas ONG’s imediatamente se insurgiram. Ao dia histórico referido pelo Primeiro-ministro turco, a Amnistia Internacional contrapôs um “dia negro” para a convenção das Nações Unidas sobre o Estatuto dos Refugiados, para a Europa e para a Humanidade. Agência das Nações Unidas para os Refugiados, UNICEF, OXFAM, Save the Children, teceram duras críticas e lançaram vários alertas, nomeadamente para a possibilidade da Grécia ficar transformada num país com centenas de milhares de pessoas a viverem em campos de refugiados.

Mais uma vez a União Europeia deu uma resposta errada. São erros consecutivos. Aliás, basta ver como estão a ser cumpridos os anteriores acordos e o ritmo de chegada dos refugiados aos vários países que aceitaram acolhê-los. Esta União Europeia pensa que tudo resolve atirando dinheiro para cima dos problemas e empurrando com a barriga as questões que não se resolvem com a passagem de um cheque. 

A Europa sempre chantageada e sempre a deixar-se chantagear. Foi assim com Kadahfi quando ameaçou deixar passar os africanos que fugiam da miséria e queriam chegar á Europa; outra recente chantagem foi a do Presidente do Egipto, Abdel Fatah al Sissi que alertou para a consequência de ser afastado do poder e o caos que alegadamente se seguiria (“Somos 90 milhões e a Europa irá sofrer consequências”); agora é a Turquia. Jorram milhões de euros dos cofres europeus para regimes opressivos. E a Europa não aprende.

Pinhal Novo 18 de Março de 2016
josé manuel rosendo

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