Páginas

sábado, 14 de janeiro de 2017

Viva o Congresso, viva o Jornalismo


Esta foto foi retirada da página do Congresso e serve para registar uma excelente ideia: os alunos de jornalismo que dispõem de uma redacção no próprio Congresso, onde fazem (entre muitas outras coisas) um jornal diário  sobre o Congresso. Entre os que coordenam os futuros jornalistas está o Mestre Francisco Sena Santos (na foto, em primeiro plano). Créditos da foto: Rui Coutinho/ESCS


Parabéns ao Sindicato dos Jornalistas, à Casa da Imprensa e ao Clube dos Jornalistas; parabéns à Comissão Organizadora, a todos os camaradas que fizeram comunicações para enriquecer o debate e a todos os que tornaram o Congresso possível. Já era tempo. 

Hoje, saí do S. Jorge mais entusiasmado e de alma temperada. Ficaram resolvidos os problemas do Jornalismo? Não, nenhum, nem tinham de ficar! Mas falámos dos problemas. Todos precisamos destas ilusões. 
Nunca tinha ido a um Congresso de Jornalistas. Gostei de ver a sala do S. Jorge cheia de gente de todas as idades. Não gostei de tudo o que ouvi, nem tinha de ser de outra forma, mas mesmo assim foi óptimo porque há muito que aprendi, e gosto, de viver com a diversidade e com a diferença. As diferenças quando expressas têm o condão de nos ajudarem a conhecer uns aos outros. No que é bom e no que é menos bom.
Confesso que tenho andado desanimado. Resistente sempre, mas desanimado. Cansado de leviandade, arrogância, amiguismos, e de mais do mesmo num rumo com fim mais do que certo. O problema é que para arrepiar caminho é preciso dizer Não. Mas essa é uma palavra que, hoje em dia, poucos se atrevem a dizer numa redacção. Não é uma crítica, é uma constatação. Eu também adoro os meus filhos e tenho uma renda de casa para pagar.

De tudo o que ouvi (e não ouvi tudo) sublinho a frase que, em minha opinião, será sempre a conclusão de todas as discussões por mais voltas que tentemos dar: “A receita (para responder à crise)* está na origem, está no Jornalismo” (Carlos Rodrigues Lima, DN). Outra frase para reter: “nós não vendemos notícias, nós damos notícias” (Paulo Dentinho, RTP). Felicito a coragem de abrir o coração por parte de Paulo Pereira, num registo que emocionou a sala do S. Jorge; agradeço e aplaudi as referências a Oscar Mascarenhas; registei a pergunta de Margarida Neves de Sousa aos Directores de vários (19?) OCS alinhados no palco: (cito de cor) “Digam lá - sim ou não - se têm precários nas vossas redacções e, se têm, quantos são?”. Alguns “engasgaram-se”, andaram à volta, à volta; outros responderam direitinho. Todos percebemos. 

Aliás, quanto a Directores de Informação muito haveria para discutir. José Pedro Castanheira (Expresso) lembrou “os directores que são… saltitantes” (saltam de um OCS para outro, e voltam a saltar - alguns até parece que nasceram já Directores); eu acrescento os Directores, assim tipo ioiô, que ora são Directores e jornalistas ora são outra coisa qualquer para depois regressarem ao exercício da profissão. As redacções aguentam, o Jornalismo não sei.

josé manuel Rosendo

14 de Janeiro de 2017

1 comentário: