quinta-feira, 12 de junho de 2014

gente que deita Gente fora. Chamam-lhe despedimentos.

Por todas as razões e mais uma andei todo o dia a remoer e não consegui ir para a cama sem dizer alguma coisa. Não é obrigação, é alma. 

Depois de uma manhã ocupada que exigia telemóvel no silêncio, descubro duas mensagens: a primeira "começaram a despedir; a segunda, 45 minutos depois, "fui despedida". A notícia: são 160 que a Controlinveste deita fora. Sim, porque comunicados de baixa qualidade não conseguem esconder a realidade: é deitar fora que se deve dizer! Pessoas deitadas fora. 

Entre os deitados fora há 65 jornalistas. Eu não sei se alguns gestores sabem, mas, pelo menos para mim, e conheço muitos que também assim sentem, este é um ofício em que não se consegue estar sem que se goste muito. Sei que é diferente com os gestores: tanto faz que a empresa seja de melancias ou de automóveis; de cervejas ou de novas tecnologias. Só querem saber quanto recebem ao fim do mês e se der merda tanto melhor porque devem sair com o bolso cheio. Parece mal deitar um gestor fora.

Quem gosta de ser jornalista não vive sem isto. Precisamos das "zaragatas" de redacção, dos almoços e jantares prolongados onde só se fala de trabalho, da má-língua, da rua onde estão as entrevistas e a reportagem, do estúdio, da ansiedade antes de abrir o microfone, da escrita apressada que conta a história, até da asneira, do erro, de todos os dias ouvir notícias e ler jornais. Quem gosta de ser jornalista não precisa que lhe digam para "vestir a camisola" porque sempre a vestiu e quem já tem uns anos disto sabe que muitos dos que pedem para vestirmos a camisola são muitas vezes os primeiros a vestir outra camisola logo que surja um clube que paga mais. Não me peçam para vestir camisolas porque nunca andei de tronco nu.

Os jornalistas e outros camaradas dos OCS que são deitados fora assim, porque há investidores (???) que querem fazer mais com menos, são os menos culpados da desorientação e da má gestão que matou alguns OCS. Mas são eles os primeiros a pagar a factura. 

Tudo isto para deixar um abraço, um grande abraço de solidariedade - que mais posso eu fazer? -  aos camaradas da TSF, DN, JN e O Jogo, num momento em que ficaram com a vida de pernas para o ar e foram forçados a despir a camisola. Nem quero imaginar como cada um deles olhou para a redacção a pensar que estão contados os dias para que ali não voltem a entrar.

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