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terça-feira, 13 de outubro de 2020

As guerras de Erdogan

 

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Recep Tayyip Erdogan, Presidente da Turquia. Foto in https://en.zamanalwsl.net

A Turquia parece que não se cansa de somar conflitos, embora com níveis de intensidade e envolvimento diferentes. Depois do envolvimento na guerra na Síria, dos frequentes bombardeamentos na região curda, no Iraque, da intervenção declarada na guerra na Líbia, o conflito com a Grécia (e Chipre) por causa dos hidrocarbonetos e das fronteiras marítimas no Mediterrâneo, a Turquia também interfere, agora, no conflito no enclave de Nagorno-Karabakh. Evidentemente, ao lado do Azerbaijão, porque para além da pedra-no-sapato que a questão Arménia representa para a Turquia, há a identidade cultural e histórica com o Azerbaijão e ainda essa outra questão à qual a Turquia é hipersensível e que é a perda de território que o enclave representa para Baku. No passado, a Turquia sabe o que é perder território e, daí, o não querer, no presente, nem ouvir falar no Curdistão.

Há quem aponte a Recep Teyyip Erdogan uma tentação de contornos imperiais; outros preferem a justificação tradicional dos inimigos externos necessários para alimentar um espírito nacionalista que favorece Erdogan, já desgastado por tantos anos de poder; outros ainda olham para a intervenção turca em várias frentes como uma forma de marcar uma posição forte a nível regional, quando Irão, Arábia Saudita e até o Egipto, têm o mesmo objectivo. 

O Presidente Erdogan joga em vários tabuleiros e, por vezes, torna-se difícil distinguir, no início de uma determinada jogada estratégica, qual será, de facto, o seu objectivo final. 

Neste momento – e desde há muito – a Turquia mantém bases militares no Curdistão iraquiano e, agora, também no Curdistão sírio; combate o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), na Turquia, e principalmente no Iraque, mas mantém boas relações com o Governo Regional do Curdistão; combate as YPG sírias (Unidades de Protecção Popular), que foram aliadas do ocidente no combate ao Estado Islâmico e também combate o Governo de Bashar Al Assad, mas é aliada de milícias sírias de génese islâmica; a fronteira turco-síria foi uma porta escancarada aos rebeldes que começaram a combater Assad e a tudo o mais que era preciso fazer passar entre os dois países; a Turquia foi também (tal como outros países da região), porta de entrada de petróleo do Estado Islâmico, sendo que de forma nunca oficial e sempre com o argumento de que se tratava de contrabando – aliás, a fronteira turco-iraquiana sempre foi ponto de passagem de petróleo de contrabando; na Líbia, a Turquia aliou-se ao governo de Tripoli (apoiado pela ONU), enviando milícias que tinha na Síria, para combater um outro governo líbio instalado no leste e que tem no Marechal Khalifa Haftar o líder de guerra – um posicionamento que lhe permitiu um acordo com o governo de Tripoli para uma zona económica exclusiva que vai da costa sul da Turquia até à costa da Líbia. Este acordo choca com um outro, assinado entre a Grécia e o Egipto. Aqui chegados, percebemos mais facilmente o que está em jogo no Mediterrâneo oriental.

Em termos geográficos, se a Turquia não quer, ou não pode, expandir influência e poder para ocidente – a União Europeia diz que as conversas com Ancara para uma adesão à União Europeia, estão em “ponto-morto” – para oriente também não o pode fazer, porque aí encontra o poder da Federação Russa e, já se viu, desde o que aconteceu na Geórgia e na Ucrânia, Moscovo não está para brincadeiras e não vai permitir veleidades na sua vizinhança próxima. Mesmo agora, no conflito de Nagorno-Karabakh, foi em Moscovo que Azerbaijão e Arménia negociaram o recente (e já violado) cessar-fogo. Vladimir Putin já mostrou quem manda naquela região. Assim sendo, resta à Turquia tentar retomar para a sua esfera de influência: a região do antigo Império Otomano. 

É certo que passou um século desde que Istambul deixou de controlar meio-mundo e também é certo que, entretanto, outros poderes disputam o domínio da região, mas será aí que Erdogan terá terreno para fazer caminho. Aliás, desde a chamada Primavera Árabe que a Turquia não tem feito outra coisa. E outra coisa que nunca deixou de fazer foi a de ser um problema para a NATO, aliança de que é um dos mais poderosos membros: o actual conflito com a Grécia – também membro da NATO, à qual ambos os países aderiram em 1952 – é apenas o exemplo mais recente.

Num Médio Oriente em que a presença dos Estados Unidos é cada vez mais reduzida e em que outros actores tentam conquistar terreno, a tarefa da Turquia não vai ser fácil: o Irão, atacado em várias frentes, tenta solidificar influência em Bagdad, dá sinais de não facilitar uma solução “ocidental” no Líbano e mantém-se firme no apoio a Assad, na Síria, para além de estar a dar cabo dos nervos a Riad e ao “ocidente”, no Iémen; a Arábia Saudita, rendida aos ditames de Washington – assim obriga o affaire Kashoghi – e a fazer asneiras sucessivas na guerra no Iémen, tenta manter o status quo e faz tudo o que possa prejudicar o Irão; o Egipto, está mais preocupado com a Líbia, com o Sinai e também com a situação interna – apesar da “mão-de-ferro” continuam a surgir manifestações contra o regime. Aliás, em relação ao Egipto, o SIPRI, Instituto de Investigação sueco que analisa, entre outras coisas, a compra/venda de armas em todo o mundo, torce o nariz perante os dados de 2019, ao ver o Egipto surgir em nono lugar entre os catorze países do Médio Oriente e Norte de África (MENA), sendo que o Egipto tem o segundo maior efectivo militar no conjunto destes países. Em termos de despesa militar em 2019, a Turquia surge em terceiro lugar, apenas ultrapassada por Arábia Saudita e Israel.

A mesma Turquia, membro da NATO, que compra o sistema de defesa de mísseis S-400 à Rússia, e que por causa disso é afastada do programa dos caças norte-americanos F-35, é a mesma Turquia que na Líbia e na Síria está em campo oposto à Rússia.

Para além das questões consideradas de interesse nacional e que motivam a estratégia de cada país, vejamos os líderes que disputam a influência regional ou estão envolvidos nos conflitos: Erdogan (Turquia); Al Sissi (Egipto); Vladimir Putin (Rússia); Mohammad Bin Salman (Arábia Saudita) e Ali Khamenei (Irão). Presumo que em nenhum destes países possamos dizer que existe uma verdadeira democracia e, por muito que não queiramos, é com estes dados que a situação tem de ser analisada.

Com tudo o que acima é referido, convém sublinhar que na tradicional anarquia das Relações Internacionais, não há bons nem maus e a Turquia faz o que todos os países fazem quando consideram que isso é importante para a sua defesa e segurança, assim tenham oportunidade e meios: tenta conquistar poder e influência, seja através das armas ou através de alianças momentâneas que lhe garantam presença e uma palavra a dizer quando se tomam as grandes decisões. Falta saber se a Turquia terá os meios, os aliados, e o fôlego, para vencer em tantas frentes de batalha. Mas que de há muito é um caso de estudo na política internacional, disso parece que ninguém tem dúvidas.

Pinhal Novo, 13 de Outubro de 2020

josé manuel rosendo 



segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Os curdos vão desistir? Claro que não!

Cartaz no Curdistão sírio em que se pode ver o líder do PKK, Abdullah Öcalan ladeado por mártires combatentes, as siglas das unidades curdas da síria (YPG e YPJ) e a frase: "Os nossos mártires são a nossa honra". Neste cartaz a Turquia é classificada como fascista. Fotografia: jmr/Abril 2019


A afirmação em título pode ser arriscada, mas é isso que a História nos diz. É impossível à Turquia, a não ser através de uma ocupação militar, contrária à Lei Internacional, impor uma zona de segurança com 30 quilómetros de profundidade ao longo de todo o norte da Síria (cerca de 480 km). Isso significaria a ocupação de uma enorme para do Curdistão sírio.

Nessa região (Rojava, entenda-se Curdistão Ocidental) que faz fronteira com a Turquia, desde o Verão de 2012 que o Partido da União Democrática (PYD), força política dominante entre os curdos da Síria, tenta criar instituições que construam a autonomia que os curdos desejam. Para isso foram criados três cantões (Afrin, Kobani e Jazira) e o sistema político de governação assenta numa democracia de base (quase democracia popular), inclusivo em relação a minorias e que tem como grande bandeira (aliás explorada à exaustão em muitas reportagens) a paridade entre homens e mulheres. As Unidades de Protecção Populares (braço armado do PYD) têm grupos de combate masculinos (YPG) e femininos (YPJ) lutando sob a mesma bandeira, sendo que a única diferença é a cor em que assenta a estrela vermelha e a sigla “YPG”: a dos homens é amarela, a das mulheres é verde.

Esta tentativa de construção de autonomia dos curdos da Síria passou muito despercebida porque as atenções estavam centradas na guerra civil na Síria e, depois, no combate ao Estado Islâmico (EI). Só quando a guerra em Kobani saltou para o topo das notícias, os curdos da Síria ganharam visibilidade, muito à custa da luta aguerrida que travaram e dos mártires que encheram os cemitérios.

Diga-se que o combate ao EI foi feito com o apoio aéreo da Coligação Internacional liderada pelos Estados Unidos, mas a derrota do EI e o recuo a que foi forçado, dificilmente teria sido conseguido sem as forças curdas com “botas no terreno”. A Turquia, do outro lado da fronteira (Kobani é em cima da linha de fronteira) “não mexeu uma palha” nesse combate aos fundamentalistas, tendo apenas autorizado a passagem de Peshmerga (forças militares dos curdos iraquianos) que foram em auxílio dos curdos da Síria. Aliás, basta recuar a fita do tempo para nos lembrarmos da relutância da Turquia em deixar entrar os sírios que fugiam do avanço do EI.

Neste contexto, é preciso entender o que está em jogo no Curdistão Sírio. Temos os curdos da Síria, que acabam de fazer um acordo com o Governo de Bashar Al Assad, para combaterem a invasão turca. Os curdos e Al Assad (quase) nunca se combateram desde que começou a guerra na Síria, sendo que as forças do governo foram obrigadas a retirar do norte do país devido a derrotas consecutivas na luta contra o então Exército Livre da Síria (que agora passou a Exército Nacional Sírio e é aliado da Turquia na invasão em curso) e também contra as milícias de génese religiosa, e mais tarde contra o EI. Al Assad esteve sempre a recuar até que o apoio da Rússia virou o destino da guerra mas, mesmo com o domínio curdo na região norte, as forças governamentais sempre mantiveram presença militar em pelo menos Qamishli (onde Al Assad tem uma base aérea) e Hassaqé. Temos depois a Turquia, que vê nos curdos (PYD e YPG) uma emanação do PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão), com o qual mantém uma guerra no sudeste do país há mais de 30 anos. A Turquia tem razão neste aspecto porque os próprios curdos assumem essa ligação (até a bandeira das YPG tem a mesma estrela da bandeira do PKK), mas também não se pode esquecer que o próprio PKK enviou forças para combater o Estado Islâmico, nas montanhas de Sinjar (a montanha dos Yazidi) e na zona leste do Curdistão Sírio. A razão turca não chega para chamar terroristas às YPG. É aliás um absurdo a que apenas se pode fechar os olhos devido a um excessivo cuidado diplomático em não querer ofender o Presidente turco.
Os Estados Unidos fazem a dança do costume e descartam aliados como quem muda de camisa. Assumindo a ligação aos curdos da Síria na fase da luta contra o EI, batem em retirada depois de acertarem com a Turquia a invasão que está a decorrer, querendo surgir depois como arquitectos da trégua, ameaçando a Turquia com sanções e com Donald Trump a dizer que a guerra entre curdos e turcos é muito longe de casa e não é do interesse dos Estados Unidos.
A Rússia vai mediar e, a par com o Irão, terá muito mais possibilidades de evitar um confronto directo entre as forças militares sírias e turcas, porque vai chegar o momento em que muito provavelmente vão estar “frente a frente”. É a última coisa que a Kremlin pretende é ver dois países amigos a digladiarem-se.

Esta ofensiva turca no norte da Síria é a prova, se tal fosse necessário, de que o Conselho de Segurança das Nações Unidas está bloqueado e fica à vista de qualquer Estado com ambições expansionistas ou de guerrear um Estado vizinho, que basta ter capacidade militar para tal. A chamada “comunidade internacional” não vai passar das declarações desgarradas de condenação do acto. O Direito Internacional foi mais uma vez enviado às urtigas, e não será a última, porque o que está a acontecer é a violação clara da soberania de um Estado, por outro Estado.

Mas para além de todos estes considerandos sobre os protagonistas, há um aspecto que não deve ser negligenciado: há décadas que os curdos lutam pela autodeterminação, principalmente na Turquia e no Iraque. Os sucessivos governos turcos não os conseguiram derrotar, apesar do líder do PKK estar preso há cerca de 20 anos; no Iraque, nem Saddam Husseín conseguiu, mesmo depois dos massacres com que tentou conter as ambições curdas; na Síria os curdos, também tratados como cidadãos de “segunda ou terceira” pela família Assad, até a nacionalidade síria viram recusada. O PKK é bombardeado há anos até nas bases que mantém no Curdistão iraquiano.

O Curdistão, nos diferentes países por onde está dividido, tem diversas tonalidades políticas (algumas até muito divergentes) e diferentes formas de organização, mas há um sentimento que une os curdos: o direito ao Curdistão. Quem já andou pelas montanhas do Curdistão sabe que os curdos as conhecem como ninguém e é o ventre dessas montanhas que alberga o espírito da autonomia curda. Não há bola de cristal que nos mostre o caminho que a História vai seguir, mas quem quiser derrotar os curdos, talvez só tenha dois caminhos possíveis: assume um genocídio ou arrasa todas as montanhas da região. Se assim não for, os curdos vão resistir.

Pinhal Novo, 21 de Outubro de 2019
josé manuel rosendo


terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Onde estão os amigos dos curdos?



A surpresa – ou talvez não – da noite de segunda-feira, chegou de Nova Iorque: o Conselho de Segurança das Nações Unidas, reunido a pedido da França por causa da ofensiva militar turca no Curdistão sírio, terminou a reunião e ficou em silêncio. Não houve condenação da invasão turca, nem comunicado final. As únicas declarações conhecidas são as do embaixador francês: “há uma viva preocupação face à situação no norte da Síria com a escalada em curso”. Ainda acrescentou que a prioridade é a “unidade dos aliados na luta contra o Estado Islâmico” e que a situação em Afrin é apenas “um dos elementos da situação na Síria”. E por aqui se ficou.

Dos outros 14 países do Conselho de Segurança não são conhecidas quaisquer declarações e porque a reunião foi à porta fechada – não sendo possível ter a certeza – corre a notícia de que a embaixadora norte-americana Nikki Haley, não esteve presente.
A confirmar-se esta ausência, fica claro que os Estados Unidos, mais uma vez, “olharam para o lado” quando se trata de proteger aliados e quando se sabe que um dos argumentos para a actual invasão turca foi os Estados Unidos terem dito que estavam a formar as milícias curdas da Síria com o objectivo de evitar o regresso do Estado Islâmico a territórios que já ocupou. Apesar dos desmentidos norte-americanos, a Turquia encarou esta acção como sendo a base da formação de um força militar curda para vigiar e proteger a fronteira turco-síria (que é a zona curda). Os Estados Unidos lavaram as mãos, qual Pilatos, e todos aqueles que se dizem amigos dos curdos, fizeram o mesmo. Ao apelo curdo para que Washington “assuma as suas responsabilidades”, a Casa Branca fez ouvidos moucos.

Longe vão os tempos em que muitos teciam loas aos curdos por enfrentarem o Estado Islâmico. Fizeram-no no Iraque e na Síria. Depois disso, no Iraque sabemos que fizeram um referendo e votaram pela Independência; o governo de Bagdad tratou de fazer gorar essas intenções, tomando Kirkuk à força e encerrando o espaço aéreo; os interesses económicos das elites curdas iraquianas fizeram o resto – há petróleo para vender.
Na Síria, os curdos dispensaram o referendo e declararam a Autonomia administrativa em Rojava (assim designado o Curdistão Ocidental) que inclui os cantões de Jazira, Kobani e Afrin. Este último, fica separado dos outros dois que são contíguos. Entre eles fica uma zona onde a influência curda é reduzida e por onde entraram as forças militares turcas desde que intervieram directamente na guerra na Síria em Novembro de 2016. Agora o ataque é ao cantão de Afrin, o mais exposto e difícil de defender por ser um enclave.

Não surpreende o ataque turco. As ameaças vinham sendo feitas e a vontade turca de neutralizar as pretensões curdas era mais do que evidente. A Turquia vê nas milícias YPG (Unidades de Protecção Popular) a versão síria do PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão) que desde 1984 declarou a revolta dos curdos e tem assumido um confronto militar com a Turquia. A Turquia considera as YPG um grupo terrorista.

Mais uma vez, o interesse particular dos Estados evita que os curdos recebam o apoio que fizeram por merecer. Mais uma vez vão sentir-se usados e mais uma vez vão pagar cara a “ousadia” de quererem ser donos do seu próprio destino.

Dos vizinhos próximos dos curdos já se sabia que não querem nem ouvir falar de Autonomia ou Independência, mas de outros “amigos” esperava-se mais. Uns porque também têm minorias nos seus territórios e não querem “maus exemplos”, outros porque têm outros interesses no Médio Oriente, todos deixam os curdos à sua sorte porque nunca são uma prioridade no xadrez internacional.
Ainda não há muito tempo, Tony Blair – depois de muitos anos como líder do “Quarteto para o Médio Oriente” – reconheceu que a comunidade internacional errou na atitude em relação ao Hamas depois do Movimento Islâmico ter vencido as eleições palestinianas em 2006; todos temos assistido ao desfile de personalidades que vieram dizer que a invasão do Iraque foi um erro; todos assistimos a um Conselho de Segurança cada vez mais incapaz de tomar decisões que tenham algum contorno de justiça e não apenas de submissão aos interesses dos membros com assento permanente. Acumulam-se os erros e somam-se conflitos que ganham contornos de guerras prolongadas com um alto preço de vidas humanas.

O recente ataque turco começou a 19 de Janeiro com bombardeamentos a partir da Turquia e teve seguimento no dia seguinte com as forças militares a penetrarem em território sírio.

O Presidente turco já disse que não vai recuar e, paralelamente, a Rússia convida os curdos da Síria a participarem em negociações de paz (com toda a oposição síria) em Sochi, no final de Janeiro, negociações que também têm o patrocínio turco. Ao mesmo tempo a Rússia acusa os Estados Unidos de provocarem a Turquia – por treinarem as milícias curdas – e incentivarem o separatismo curdo.
Na troca de declarações os Estados Unidos pedem “contenção” à Turquia, mas também reconhecem aos turcos “o direito legítimo de se protegerem”, sendo que já reconheceram terem sido avisados antecipadamente da ofensiva turca.
O Reino Unido não foge à regra: o Ministério dos Negócios Estrangeiros fez saber que “reconhece à Turquia um interesse legítimo de assegurar a segurança das suas fronteiras”.

Até agora o único país a protestar contra a invasão turca foi a própria Síria. A Turquia diz que avisou o presidente sírio, mas Bashar al Assad nega e classificou a invasão como “uma agressão brutal”, acusando o regime turco de “apoio ao terrorismo e às organizações terroristas, quaisquer que elas sejam”. Perante tudo isto o que podem pensar os curdos da comunidade internacional?

Pinhal Novo, 23 de Janeiro de 2018


josé manuel rosendo