terça-feira, 22 de março de 2016

Os dias da asneira…


Asneira, clichés e lugares-comuns. Sempre que há um atentado em espaço europeu o desfile de figuras comentadeiras nas rádios e televisões é algo de impressionante. Salvo raras e assinaláveis excepções, onde se deve incluir a jornalista Cândida Pinto, que sabe do que fala e tem a experiência de terreno necessária para não se ficar pelas teorias dos “Think tanks” difundidas nas publicações internacionais, ficamos pelos lugares-comuns, pelos clichés do terrorismo e, inevitavelmente, pela asneira.

É assim que reage uma sociedade impreparada para lidar com estes fenómenos. Uma sociedade em que se incluem as redacções, cada vez mais viradas para tratar o que anda nas redes sociais, para o que é viral e dá audiências, para as feiras de sapatos que pagam as viagens dos jornalistas e para seguir os políticos de topo que arrastam sempre uma tribo e jornalistas à procura de um soundbite. Não é que isto não possa ser feito, sobretudo em relação aos políticos, que são afinal quem toma as decisões que afectam o nosso quotidiano. O problema é que pouco mais se faz para além disso. E futebol, claro.

Perante isto, quando surge uma manhã como esta, com atentados em Bruxelas, as redacções tremem. E agora? Quem vamos ouvir sobre isto? Venha de lá a lista e vamos ouvir os do costume. O primeiro a atender o telefone, serve. Vem a estúdio ou entra em directo pelo telefone. Talvez nesse momento de decisão ninguém faça uma pergunta mais completa: o que é que queremos saber e a quem devemos perguntar?!

As redacções são afinal apenas uma parte do todo que é o país. Um todo impreparado porque mal informado e com os níveis de educação conhecidos. Os espaços na rádio e na televisão em que o povo entra a dar opinião são excelentes barómetros que permitem aferir o nível de conhecimento geral sobre os mais variados temas. Quando assim é, qualquer comentário serve. Se o comentador tiver um lencinho no bolso do casaco, ainda melhor.

No caso concreto dos atentados de hoje em Bruxelas, o conhecimento deveria passar por toda a complexidade do Médio Oriente, pela história e pela actualidade. Mas isso é sempre visto como uma chatice… é uma coisa lá longe, que não interessa às pessoas, como se o interesse público fosse o interesse do público. Informação e educação são a chave para o desenvolvimento de qualquer sociedade. Infelizmente, uma e outra, andam pelas ruas da amargura. Não adianta papaguear que lutamos pela democracia e pela liberdade se estas duas vertentes não forem devidamente cuidadas. É tudo isto que explica a forma como abordamos o assunto.

Pinhal Novo, 22 de Março de 2016

josé manuel rosendo

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